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Não gosto de mudança, não gosto de coisas passageiras. Por isso, enquanto a vida vai se desenrolando, eu procuro eternizar cada momento. Bom ou ruim, não importa, são eles que me definem. E é assim, como um chafariz, jorrando água sem parar, que eu vou jorrando palavras, olhares, gestos e sentimentos pelos lugares que vou passando.

29/05/2012 22:26 Comigo felicidade é que nem João-Bobo.

Vai e volta, nunca permanece.

29/05/2012 22:26
29/05/2012 22:21
A chuva cai de mansinho do céu – que para minha amargura, não está estrelado. Sento-me na sacada do meu quarto e abraço meus joelhos, quando minha vontade na verdade, era de estar lá fora. Mas não há necessidade de querer me molhar mais ainda, afinal minhas lágrimas já estão cuidando desta parte. Rabisco em meus cadernos, e até nas paredes… Vinícius provavelmente deve estar furioso comigo, de tanto que eu já desperdicei seus versos, jogando-os ao vento na esperança que um dia tu me escute, mas tu nunca o faz. Nunca! Acredito que se eu causasse um escarcéu, te parasse no meio do trânsito e gritasse sobre a minha ansiedade em te ter, tu nem me ouvirias. Estou coberta de solidão, mas só hei de abandoná-la quando tu, e somente tu, estiveres ao meu lado. Antes que a lua se vá, me debruço no parapeito da sacada e sussurro para a grama molhada: “tudo é deserto, minha alma é vazia, e tem o silêncio grave dos templos abandonados”.

29/05/2012 18:51
Eu queria ter a capacidade de entender melhor as coisas. Não, não, mentira. Bastava te entender. E aí mais nada importaria. Queria olhar-te nos olhos e ler-te. Queria segurar teu queixo, só por uns instantes, para que tu fixe o olhar no meu, pr’eu poder adentrar no teu poço de mistérios; e assim, tu acabaria por perceber também, que por dentro de mim, só existe você. Nos meus pensamentos, no coração, e até nos pulmões! Eu te respiro.

30/04/2012 0:40
30/04/2012 0:10

Eu queria falar sobre teus olhos, ou sobre o jeito que me olhas. Relatar cada uma das tuas expressões quando falo bobagens. Queria escrever sobre o contorno dos teus lábios, e sobre como eles ficariam tão bem encaixados quando junto aos meus. Tuas mãos, ah, o doce toque das tuas mãos… Eu também rabiscaria sobre isso.

Mas quando espio pela janela, as estrelas me contam que tu continua longe. Me parte o coração, mas sei que enquanto não posso, elas te vigiam e cuidam de ti. E cá estou eu, mais uma vez esperando. E dessa forma continuarei até que tu venhas.

Mas anota uma coisa aí moço anota e não esquece que se tu não vier me afogarei na escuridão e nenhuma estrela nesse imenso céu conseguirá iluminar minhas noites e nem o Sol por mais grande que seja nunca conseguirá me aquecer como tu o farias.

E sim, assim mesmo, sem nenhuma vírgula, sem fôlego. Jorrado tudo de vez lá do fundo da alma, porque só de pensar em nunca te ter por perto me falta o ar.

Um dia, moço! Um dia tu receberás um bilhete meu, que eu mesma entregarei. Com a letra meio tímida e torta, singelo, mas de coração. Contando como é bom escutar tua risada aqui no pé do ouvido, ou como é bom sentir teus braços em volta de mim…


15/03/2012 23:44

Sentei-me num banco daquele pequeno bar; bar que passei a odiar, pois foi onde vi o rapaz pela primeira vez. Tomei um gole do whisky e percebi que mais gelado que ele, só o meu coração. Com uma mão apoiada no joelho, apertei-o até que minhas unhas fincassem na pele. Mas não doía. Nada doía. Não mais. Levantei meus olhos pela primeira vez e o avistei num canto qualquer, despreocupado tragando seu cigarro. Por um segundo ou dois, desejei que a fumaça sufocasse o rapaz, e logo após, condenei-me.

Pensei na época em que o adorava, como era uma tola. Me enganei ao sentir a paixão nos invadir na nossa primeira troca de olhares. Eu venerava alguém que nem alma possuía, era apenas um corpo vazio andando sobre a Terra. Percebi um tempo depois, que quando ele me olha, a indiferença é bem visível. Enquanto eu, descartava tudo que havia de ruim entre nós e estremecia ao lembrar-me da profundidade daquele olhar grudado ao meu. Meus devaneios foram interrompidos pelas minhas próprias gargalhadas, não me importo em rir sozinha, ninguém nunca me notara, nem nunca se importaram comigo. E não será agora que vão perceber que estou bem ali.

Voltei a encará-lo quando nossa música começou a tocar, e então ele me olhou, com aqueles olhos sonhadores e pensativos, por um breve espaço de tempo achei que tinha visto um indício de sorriso no canto de seus lábios. Apertei meus olhos e olhei-o novamente, e lá estava, sorrindo. Pela primeira vez na vida, sorriu para mim. Porém não senti nada, meu coração não batia mais freneticamente ao olhá-lo, minhas mãos não estavam suando e meu estômago não revirava. Maldição! Tomei num gole só o restante do whisky, virei as costas e fui embora. A história se revertera. Agora indiferença era minha.
Só minha.

Fui embora com passos largos, em meio à tempestade tropecei em buracos cheios d’água, entrei em becos e vielas, não sabia para onde ia, estava perdida. Acredito que perdi-me desde o dia que colocasse teus olhos nos meus. Ah, maldito olhar! Após dobrar mais uma esquina, sentei-me numa pedra e chorei. Chorei porque não conseguia entender o motivo de todos os sábados a noite encontrar-me no mesmo bar, no mesmo banco e tomando o mesmo whisky. Diabos, já enjoei daquele maldito whisky.

Escutei um barulho por trás de umas árvores e por instinto o segui. E mais tarde me condenaria por tê-lo feito. Lá estava, o rapaz dos olhos negros novamente, no meio daquela neblina e encharcado de água do céu. Amaldiçoei-o. Joguei pragas baixinho, será que tinha me seguido? Mas ele não me olhou, nem sequer me notou. E então, abaixou-se e jogou uma rosa vermelha no chão. Ele estava chorando, ou eram apenas gotas da chuva em seu rosto? Atordoada, fiquei observando-o durante longos minutos até ele sumir de vista. Me aproximei e toquei na pétala macia da flor, embalei meu corpo com meus próprios braços e li baixinho:

“Não houve tempo de dizer adeus, de fazer um gesto de carinho, de dizer uma palavra de amor, mas apenas alguns segundos foram o suficientes para você, pequena moça dos olhos de mel, roubar meu coração e possuí-lo, com apenas um olhar. Saudades do que não vivi, e que, infelizmente, sei que nunca viverei. Saudades… de você.” (☆ 07/11/1991 † 15/03/2012)

Morri no dia em que me apaixonei, no dia em que o desgraçado me olhou, esmoreci com a paixão que havia entre esse contato. E agora, percebo que ele me olha com indiferença apenas porque não me vê. Lembrei-me que ganhei seu sorriso hoje, depois de condenada. Ele sorriu pela lembrança que a música trouxe, mas nunca sorriu diretamente à mim, e nem nunca o fará. Se for possível, eu diria que acabo de morrer novamente, por saber que eu era amada - que ainda sou. E agora, nada posso fazer. De tanto acreditar em singelos pares de olhos, acabei com a minha vida. Cheguei a conclusão que olhares são fatais - e se assim o forem…- Eu escolho a morte.


15/03/2012 12:34
Logo eu, que guardei tanto amor para dar - para te dar. Eu, que sempre fui paciente e esperei como se a vida não tivesse fim. Eu, que sorria como uma tonta ao ver qualquer coisa que me lembrava você. Logo eu… mergulhei no abismo que são os teus olhos, sem medo de nunca mais voltar à superfície. Me rendi à sua escuridão, e afoguei-me.

13/03/2012 15:16
13/03/2012 15:04
Breve nota sobre como o amor bagunça com a nossa cabeça: — Tento te escrever, mas nem pensar consigo; olho o sabiá cantando, mas só o que escuto são meus suspiros. Eu queria, ao menos, perguntar “como vai você?”, mas confundo o “como” com “eu”, o “vai” com “amo”, e me flagro falando que te amo. Ah, como eu te amo.



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